Durante muito tempo, Cristo habitou em mim como uma palavra conhecida.
Eu sabia repetir frases. Eu reconhecia símbolos. Eu entendia, ao menos na superfície, a linguagem da fé. Mas existe uma distância silenciosa entre saber falar sobre Cristo e permitir que Ele atravesse os lugares mais escondidos da alma.
Essa distância não se vence pela aparência. Não se vence por obrigação. Não se vence por medo.
Ela começa a diminuir quando a vida nos coloca diante de perguntas que já não cabem em respostas prontas.
Foi assim que Cristo deixou de ser uma ideia. Ele deixou de ser apenas uma referência religiosa, uma imagem distante, uma memória cultural. Aos poucos, tornou-se presença.
Presença no silêncio. Presença na consciência. Presença na coragem de olhar para aquilo que eu não queria enxergar. Presença no convite para perdoar, para voltar, para não transformar a dor em morada definitiva.
O caminho não ficou mais fácil. Mas ficou mais verdadeiro.
E talvez seja isso que a fé faz quando amadurece: ela não nos afasta da realidade. Ela nos dá olhos para atravessá-la sem perder a alma.
